Pastora realiza primeiro casamento entre duas mulheres da igreja Batista e fiéis ficam divididos: ”Deus aceita toda forma de amor”

A pastora e teóloga Odja Barros tem 28 anos que ministra cultos na Igreja Batista no Pinheiro, em Maceió, já estava acostumada a realizar inúmeros casamentos entre homens e mulheres. 

Odja, surpreendeu  a si mesma quando realizou o primeiro casamento homoafetivo da igreja Batista, ela conta que sentiu muito frio na barriga, mas que realizou um grande sonho. 

No entanto, muitos fiéis da igreja ficaram divididos por conta que essa religião ainda é muito conservadora na maioria das congregações no Brasil.


O casamento entre duas mulheres ocorreu em um salão de festas de Maceió e uniu o amor de Tuane Alves, 29, e Erika Ribeiro, 29, foi um marco histórico, tanto pela união como por uma pastora assumir o altar de uma igreja Batista. 

"Senti frio na barriga de emoção, de saber que estava vivendo algo que é fruto de muita luta. Como pastora feminista, queria muito que minha primeira celebração de casamento igualitário fosse com duas mulheres", conta a pastora.

"Eu já estava disposta e aberta a ser celebrante de uniões homoafetivas, mas faltava ainda receber um convite. E isso ocorreu no ano passado, quando fui procurada pelas noivas", explica

‘’Eu sei que, até na luta LGBTQI+, as conquistas das mulheres vêm com mais dificuldade. Por isso me senti tão honrada e privilegiada de ser celebrante de um momento novo e histórico dentro da tradição de igrejas batistas no Brasil’’

Odja, é muito conhecida no Brasil, ela sempre lutou e ainda luta para inclusão de pessoas homossexuais na religião, a pastora já chegou a ser expulsa da função por defender o batismo e casamento homoafetivo. 

A pastora fala que essa união não deve ser vista como pecado. "Essa visão majoritária entende homossexualidade como pecado. E resolvi isso a partir de uma leitura séria teológica, da Bíblia, das escrituras", diz.

"Nós não vemos mais nenhuma dificuldade em reconhecer essa legitimidade espiritual, do amor entre duas pessoas que decidem livremente celebrar a união como um direito", completa.

As duas mulheres recém-casadas contam que se interessaram pela igreja pelo fato dela estar aceitando batizar pessoas homossexuais. 

Sobre o casamento o casal diz que foi tudo maravilhoso e que até os convidados gostaram. 

‘’A celebração foi superior ao que a gente esperava, ela trouxe muita potência para a celebração. Foi o primeiro casamento narrado que vi: ela narrava cada entrada e dava sentido a tudo que ia acontecendo’’ conta. 

"Estavam lá evangélicos, católicos, não cristãos, espíritas, ateus, e todos falaram de maneira muito surpresa sobre a celebração e sobre a mensagem trazida por ela e pelo pastor Wellington [marido de Odja, que também faz parte da mesma igreja]", finaliza.



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