Homem que atacou motoboy negro em 2020 comete nova injúria racial

O contabilista Mateus Abreu Almeida Prado Couto, que em julho de 2020 xingou o motoboy negro Matheus Pires, voltou a praticar racismo. Em vídeo que circula nas redes sociais desde a última sexta-feira (9), ele aparece atacando funcionários de um mercado em Campinas (interior de São Paulo).

Nas imagens, é possível ver Mateus na calçada em frente ao estabelecimento. Sem máscara de proteção contra o coronavírus, ele profere ofensas racistas e diz que é nórdico (referindo-se à região da Europa dominada por pessoas brancas), apontando para a própria pele branca.

Em entrevista ao portal UOL, Diego Brasa, filho dos proprietários do mercado, relatou que o homem havia ido até o local na manhã de sexta e se irritado com os funcionários por ter sido impedido de entrar no estabelecimento sem máscara.


“Por estar sem a proteção, o funcionário não deixou que ele entrasse no mercado, nisso ele já ficou bem irritado e fez alguns xingamentos. Depois colocou uma camiseta cobrindo o nariz e a boca, entrou, fez a compra dele e foi embora. Nesse momento ele já estava bastante exaltado”, afirmou.

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Horas depois, por volta das 13h, o contabilista teria voltado ao local ainda mais exaltado e feito as ofensas. “Ele dizia que atendíamos muitos clientes negros e que nós roubávamos os clientes. Além de fazer menção a questão de ele ser branco. Ele estava muito descontrolado e ficou cerca de 30 minutos em frente ao mercado nos xingando”, acrescentou Diego.

A Guarda Civil Municipal e o Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) foram chamados. Após quase três horas, o agressor aceitou passar por atendimento médico e foi encaminhado pela GCM para o Hospital de Clínicas da Unicamp. De acordo com a GCM, o pai do contabilista foi chamado e acompanhou o filho até a unidade de saúde.

Em 31 de julho, o motoboy negro Matheus Pires foi hostilizado pelo contabilista com ofensas racistas e classistas enquanto realizava uma entrega no condomínio onde ele mora, em Valinhos (SP). “Você trabalha de motoboy! Quanto você tira por mês? R$ 2 mil, R$ 3 mil? Você não tem onde morar, moleque”, disse o morador do condomínio para o entregador.

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O motoboy tentou se defender indagando que o homem não faz ideia do quanto ele fatura por semana como entregador de aplicativos: “Só porque você mora dentro de um condomínio? Tem vida lá fora também”. Foi nesse momento que o homem branco começou a apontar para as casas do condomínio e para o próprio braço. “Você tem inveja disso daqui, das famílias daqui, você tem inveja disso aqui”, afirmou, evidenciando sua cor.

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Além disso, o morador disse que “nada vai acontecer”. “Aqui não vai acontecer nada, com esse funcionário não vai acontecer nada, já com você lá para frente eu não sei”, sugeriu ao lado de outro homem branco, que, pelo que as imagens indicam, é funcionário do local.

Pelas imagens, é possível ouvir Matheus dizendo que acionou uma viatura da Polícia Militar. O motoboy registrou um Boletim de Ocorrência contra o agressor.



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